Paróquia



Nele residia Joaquim Feliciano Dias da Costa, com armazém e hotel. Foi o primeiro negócio de   Cravinhos e por muito tempo o ponto de reunião predileto de seus habitantes.

Os casamentos, batizados e enterros dos que povoavam a pequena vila, sítios e fazendas dos arredores, efetuavam-se em Ribeirão Preto ou São Simão. É triste recordar, ouvindo contar as pessoas daqueles tempos, antes da chegada da Estrada de Ferro, as penosas caminhadas a que se sujeitavam para aqueles atos, sob raios abrasadores de um sol inclemente ou muitas vezes debaixo de chuvas copiosas.

Criado o Distrito Policial de Cravinhos em 1886, foi Zéca Barreto nomeado Inspetor de Quarteirão, a primeira autoridade que tivemos. Nesse cargo da justiça e em outros que ocupou em seguida, teve ocasiões de perseguir Dioguinho, o célebre facínora, e seus companheiros.

Hospedou o Dr. Godoy, delegado auxiliar do chefe de Polícia de São Paulo, que aqui veio especialmente, acompanhado duma grande escolta a fim de prender o terrível bandido que espalhava o terror nesta e nas localidades vizinhas.

A correspondência que antes era feita regularmente a cavalo, de Pirassununga a Ribeirão Preto, com troca de animais em diversos pontos, ficava na fazenda 'Jandaya', no armazém que Dias da Costa ali possuía. Com a sua passagem, porém, para a casa do largo da Estação, transferiu para ela a agência, continuando com o cargo de estafeta.

Em 1886, vindo de São Simão, aqui fixou residência o português Francisco Rodrigues dos Santos Bonfim.

Tendo adquirido terras da família Rabello, deu logo início a formação da fazenda que tem hoje o seu nome e da edificação de casas na povoação, casas essas que ainda existem na rua Bonfim, de número 25 a 31, e pertencentes ao comerciante Francisco Stocco.

Numa dessas construções montou um armazém onde trabalharam Raulino de Medeiros Marques e Hermenegildo da Silva Victorino, ainda vivos e residentes nesta cidade.

Foi o mesmo Bonfim que tratou do levantamento da igrejinha situada na praça Anita Garibaldi, sob a invocação de São José do Bonfim. A sua inauguração deu-se em 1888 e ali, celebraram-se os primeiros casamentos, batizados e mais cerimônias religiosas, para o que vinha de Ribeirão Preto um sacerdote.

Em seguida a esse fato, sem dúvida de grande importância para a história primitiva de Cravinhos, com o auxílio do povo, ainda é a ele que se deve a construção do atual Cemitério Municipal, evitando dessa forma que os enterramentos se realizassem em São Simão ou Ribeirão Preto. Na inauguração houve uma grande romaria chefiada por um missionário vindo especialmente de São Simão e foram tiradas fotografias por um profissional de Ribeirão Preto.

Efetuados mais esses dois melhoramentos indispensáveis à vida duma população que surgia e com tendências a aumentar consideravelmente, não tardou a constatar-se a existência de trinta e tantos prédios, localizados nas imediações da estação e ao longo da rua 15 de Novembro.

Esta, ao contrário do que é hoje, oferecendo com as modernas e sólidas construções e sua bela arborização a mais agradável impressão ao viandante, não passava duma larga estrada, ladeada longe em longe, de prédios de bastante singeleza e na maioria edificados por Zéca Barreto.

Raulino de Medeiros Marques, o Sapeca, como é conhecido, instalado com negócio junto à grande casa de madeira, onde funciona a máquina de beneficiar café da fazenda 'Christianópolis', e que foi a terceira aqui construída, reconhecendo os grandes e relevantes serviços prestados por Zéca em prol de Cravinhos, num movimento espontâneo e desejoso de prestar uma merecida homenagem ao respeitável benfeitor, teve a feliz idéia de encomendar por um pintor de São Simão, um artístico letreiro com o seu nome e colocar na fachada de seu estabelecimento comercial, procurando dessa forma dar nome à nossa primeira rua. Zéca, porém, não consentiu em tal, e como forte entusiasta do novo regime republicano, proclamado apenas a um ano, fez substituí-lo por outro com o dístico 15 de Novembro, que ainda perdura denominando a nossa principal via pública.

A Domiciano Fagundes deve-se também a construção de várias casas na rua 15 e em outros pontos de Cravinhos.

A primeira, a margem direita do riacho Ribeirão Preto, foi por ele mandada edificar e é a que serve hoje de morada ao negociante José Ferreira Martins de Abreu. Nela residiu por muitos anos com negócio de secos e molhados, Lulu Medeiros.

No ponto onde está o sobrado de Manoel Gonçalves Ferreira, o mesmo Domiciano fez erguer uma modesta habitação, onde estabeleceu-se com pequeno açougue, o primeiro de Cravinhos, José Leme.

E já que chegamos a um ponto avançado da evolução dos primeiros tempos de Cravinhos, sem nos determos nas 'etapas' de sua marcha progressiva, aqui descrita em rápida e singela síntese, deixamos para concluí-la assinalando as datas mais notáveis de sua história contemporânea:

· 27 de abril de 1893: criação do Distrito de Paz de Cravinhos, por lei nº 125.

· 22 de julho de 1897: elevação à município por lei nº 511.

· 21 de dezembro de 1897: fundação da Sociedade Italiana "Lavoro e Fratellanza".

· 30 de janeiro de 1898: instalação da primeira Câmara Municipal.

· 18 de março de 1898: criação da Paróquia de Cravinhos.

· 01 de agosto de 1899: fundação da Casa Pagano.

· 02 de outubro de 1900: lançamento da primeira pedra da Igreja Matriz.

· 12 de março de 1904: é instalada a Fábrica de Macarrão de Sylvio Aldinucci.

· 21 de fevereiro de 1905: inaugura-se a imprensa com a publicação do primeiro número de "O Cravinhos".

· 23 de junho de 1905: inauguração da Igreja Matriz.

· 12 de julho de 1906: foi fundado o Club Athlético.

· 14 de julho de 1906: Paulino Augusto de Araújo funda a primeira linha telefônica.

· 16 de fevereiro de 1908: é criada a agência do Correio de Serrinha.

· 24 de maio de 1909: inauguração do Paris-Cravinhos.

· 12 de outubro de 1909: é instalado o Grupo Escolar "João Nogueira".

· 12 de setembro de 1909: é inaugurado o Clube Recreativo Esportivo e Literário.

· 04 de outubro de 1910: celebra-se o contrato para a iluminação elétrica da cidade.

· 06 de abril de 1910: inicia-se a reconstrução da Estação Mogyana.

· 18 de outubro de 1911: é lavrado o contrato para o abastecimento de água e esgotos.

· 28 de agosto de 1912: é criado o Distrito de Paz de Serrinha.

· 20 de dezembro de 1913: inauguração do Éden Theatro.

· 01 de novembro de 1914: foi inaugurado o Mercado Municipal.

· 07 de junho de 1914: inauguração do ramal de Serrana.

· 24 de maio de 1915: inauguração do novo edifício do Grupo Escolar "João Nogueira".

· 16 de novembro de 1917: foi criada a Linha de Tiro 481.

· 21 de janeiro de 1918: inauguração do serviço telefônico da Bragantina.

· 30 de abril de 1919: benção da nova Matriz de Serrinha.

· 09 de julho de 1919: inauguração da nova Cadeia Pública.

· 06 de maio de 1922: instalação do Clube Recreativo Esportivo e Literário no novo prédio.

· 02 de julho de 1922: inauguração da Estrada de rodagem.



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