Paróquia



Eram de fato tão uberrimas, que os pequenos cafezais que naquela época possuía, chegavam a produzir de 400 a 500 arrobas por mil pés!...

- Sigam para diante, continuou Hyppolito. Vão até lá e procurem a fazenda denominada "Cravinhos", com uma extensão de 800 alqueires, todos de terra roxa apuradíssima. Tratem de comprá-la, e estou certo, farão um ótimo negócio.

Seguramente informados, deixaram Casa Branca e não tardaram a aportar em São Simão, que já era também possuidor de boas plantações de café.

Entre outras lavouras que visitaram, contam-se a do "Tamanduá" do Cel. Domiciano Correa, que tratou-os fidalgamente, e a do "Alto da Serra" de Joaquim Negrão, todas novas, de 3 para 4 anos.

Negrão, conhecedor de toda a redondeza, serviu de guia aos Barretos, no trajeto de São Simão a Cravinhos, pela antiga estrada que dali conduzia a Ribeirão Preto, e hoje, bastante modificada em seu percurso.

Chegados, finalmente, às terras dos Cravinhos, tomaram-se de espanto defrontando tão bela e rica extensão territorial.

José Hyppolito de Carvalho não se enganava quando afirmara que eram terras de primeira ordem. O vivo purpureado de seu solo e a luxuriante vegetação que ostentava, falavam bem alto da sua valia, inigualável ao de todas as terras por eles antes percorridas.

Podiam, pois, tornar-se os donos de tão rica propriedade; bastava para isso que o seu proprietário se prontificasse a entrar com eles em combinação. Não tardou, porém, que isso se realizasse.

Antônio Caetano, caboclo valente, e que aqui residia, desconhecendo, talvez, o inestimável tesouro de que era possuidor, e do qual auferia insignificantes rendimentos com criação de porcos, não hesitou em fechar negócio com o Dr. Luiz Pereira Barreto, vendendo os 800 alqueires que compunham a sua fazenda por 36:000$000.

Dessa forma, eis como os Barretos, vindos de tão longe, depois de uma viagem arrojada pelos sertões inóspitos, tornavam-se os senhores das terras dos Cravinhos, até então pouco conhecidas.

As terras adquiridas compreendiam as áreas onde, hoje, estendem-se as importantes fazendas denominadas "Cravinhos" e "Jandaya". A parte sobre a qual assenta-se a cidade e mais terras adjacentes e que eram completamente virgens, chamavam-se "Canta Galo" e não entravam na compra efetuada de Antônio Caetano. Foi o mesmo Dr. Luiz, porém, quem as adquiriu, mais tarde, de Domingos Borges, seu proprietário, num total de 80 alqueires, pela quantia de 600$000!...

Ainda foi o mesmo Negrão quem se prontificou a ir a Franca, então freguesia, a fim de tirar o talão de ciza para a compra das terras dos Cravinhos, visto que, Ribeirão Preto apesar de sede de município desde 12 de abril de 1871, era ainda distrito de paz, por força da lei provincial número 51, de 2 de abril de 1870, e não tinha Coletoria.

Em seguida, voltaram os Barretos à sua terra natal, demorando-se ainda alguns dias em São Simão, na fazenda do Cel. Domiciano Correa, caçando veados. (Nota do autor: Da "Expiação!... de Plínio dos Santos.)

Em novembro do ano de 1876, acompanhados de mais um irmão, o Dr. Cândido Pereira Barreto, e de maior número de escravos, retornaram os Barretos às terras dos Cravinhos, iniciando logo as derrubadas para o plantio do café.

Se bem, que aqui estivessem residindo, antes de sua chegada, devastando matas, Paula Machado, que foi quem plantou o primeiro pé de café neste município, na atual fazenda "Canta Galo", de propriedade do Cel. Francisco Gomes Leitão, e depois, Francisco Cabral de Mello de sociedade com Antônio José de Mello, conhecido por Mellão, formando a "Monte Belo", e aqui vindos em 1862, e de outros ainda, o certo é que após a compra das terras de Antônio Caetano e volta dos Barretos, é que se inicia verdadeiramente a história da fundação da cidade de Cravinhos.

José Christiano Barreto, filho de José Pereira Barreto, sabedor também da excelência das terras do oeste de São Paulo, por informações fidedignas de seu pai e tios, levadas à Rezende, na volta da viagem de exploração que empreenderam, três anos depois da última partida deles, não podendo conter a ansiedade de conhecer as novas paragens, pintadas com tão belas cores, resolveu partir ao seu encontro.

Em companhia de seu tio Francisco e de sua avó d. Francisca Barreto, no ano de 1879, pela estrada de ferro D. Pedro II, que então já se estendia até a capital paulista, chegaram a São Paulo, e depois, pela Ingleza e Paulista, aportaram em Pirassununga, ponto extremo da última estrada.

Nessa localidade, por motivo de enfermidade na pessoa de um dos escravos que o seguiam, Zeca Barreto, como é mais conhecido, teve de retardar a viagem, e só 15 dias depois, com Joaquim Vieira de Souza, que ali conhecera, e que mais tarde, aqui adquiriu terras, continuou a jornada a cavalo, vindo a 9 de fevereiro de 1879, encontrar os parentes, inclusive seu tio e avó, com quem viajara, e que haviam partido antes de Pirassununga.
  Cuidada pelo seu tio Miguel, já havia uma pequena lavoura de café, de 2 anos, ativando-se, no entretanto, os trabalhos do preparo das terras para o prosseguimento do plantio da preciosa rubiácea.

De Cravinhos, seguiu logo depois para Sertãozinho, onde se achava seu pai, possuidor de uma fazenda que havia permutado com Augusto Pereira Barreto, por uma parte da "Jandaya", que lhe cedera o Dr. Luiz, sendo que outra porção da mesma propriedade era pertencente ao Dr. Cândido.

Seu pai, reconhecendo nele bastante disposição para o trabalho, deu-lhe extensa área de terra que foi logo cultivada.



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