Arquidiocese



2. PREPARAÇÃO DAS NOVAS DIOCESES

O primeiro Bispo de São Paulo a pensar em dividir a sua vasta diocese de 290.876 km² foi Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti - o que se tornou depois, o primeiro Cardeal da América do Sul - que, escrevendo a Dom João Batista Corrêa Nery - então Bispo de Pouso Alegre - assim afirmou em 1907: "Começou a ter execução o grande plano de criação das Diocese de São Paulo, esboçado por mim e D. José de Camargo e realizada por Dom Duarte...".

Dom Arcoverde ficou em São Paulo de 11 de agosto de 1894 a 31 de agosto de 1897, quando foi transferido para o Rio de Janeiro. Sucedeu-lhe Dom Cândido de Alvarenga, que faleceu no início de 1903. A Seguir, foi nomeado Bispo de São Paulo, Dom José de Camargo Barros - até então, Bispo de Curitiba - que autorizou, através de carta, ao Monsenhor Paschoal Ferrari organizar o patrimônio do bispado de Botucatu e apoiou igualmente o movimento semelhante para a formação do patrimônio do bispado de Campinas, com a ajuda de Dom Nery (campineiro) e dos Padres Francisco de Campos Barreto e Pedro Francisco dos Santos.

Na verdade, a Diocese de Campinas surgiu de um pedido feito pelos próprios campineiros e, entre eles, Dom Nery, quando de uma visita do Núncio Apostólico a Campinas, no final do ano de 1903.

Pelo que se depreende de uma carta de Dom Nery - nesta época, em Pouso Alegre - datada de 4 de janeiro de 1904, a Dom José de Camargo Barros e que se conserva no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo, por esta época, pensava-se criar uma diocese "no oeste de S. Paulo" (sic), com sede em Batatais.

Ao pedido formulado pelos campineiros, o Núncio Apostólico lhes teria respondido que seria melhor a localização de Batatais.

O próprio Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Merry del Val, em carta de 9 de março de 1904, ao Núncio Apostólico no Brasil, consultou-o sobre a criação da Diocese de Campinas, o mesmo fazendo o Núncio a Dom José de Camargo Barros, com carta de 11 de abril de 1904.

Dom José foi, inicialmente, resistente à idéia de novas dioceses no Estado de São Paulo, enquanto cada uma delas não tivesse seu patrimônio bem formado e estruturado, bem como sua catedral e residência episcopal. A sua experiência de primeiro bispo de Curitiba, talvez lhe tenha dado esta sabedoria, exigindo, inclusive, que cada nova diocese tivesse um patrimônio de, no mínimo, 200 contos de réis.

Mas, pode-se datar, como início efetivo da preparação das novas dioceses, o ano de 1904. Deste ano até 1907, pensava-se criar diocese com sede nas seguintes cidades: Botucatu, Batatais e Campinas.

Dom José esteve em Roma, em 1906, tratando da criação das novas dioceses, mas veio a falecer, ao retornar ao Brasil, no naufrágio do navio "Sírio", no dia 4 de agosto do mesmo ano, ficando, pois, provisoriamente suspenso este projeto.

Sucedeu a Dom José, vindo igualmente de Curitiba, Dom Duarte Leopoldo e Silva, que muito bem conhecia a situação de São Paulo. Tomou posse aos 14 de abril de 1907 e logo sua atitude foi a de trabalhar para a formação das novas dioceses.

Cônego Joaquim Antônio de Siqueira, na época vigário de Ribeirão Preto, esteve presente na posse de Dom Duarte e, de volta a esta cidade, concedeu entrevista ao jornal local, A CIDADE (20 de abril de 1907), cujo título foi:
"BISPADO DE RIBEIRÃO PRETO"

"Regressou anteontem de São Paulo o Revmo. Sr. Cônego Joaquim Antônio de Siqueira, estimado Vigário desta cidade, que fora especialmente à Capital visitar e apresentar a S. Excia. Revma. o Sr. D. Duarte Leopoldo, Bispo diocesano, os seus cumprimentos, em nome da paróquia e das sociedades católicas desta cidade.

Distinguindo-nos ontem com a sua visita, referiu-nos o Sr. Cônego Siqueira que, estando em conversações com o Sr. Bispo Diocesano e outras altas autoridades da igreja paulista, chegou a saber que dos quatro novos bispados que vão ser criados em nosso Estado, Ribeirão Preto será a sede de um deles.

Conhecida esta boa vontade das autoridades diocesanas o Revmo.

Vigário teve então ocasião de recordar-lhes que no arquivo do bispado existe um documento em que, por morte do Cônego Siqueira passaria a pertencer à Diocese que fosse criada em Ribeirão Preto a casa atualmente de sua residência.

Declarou ainda o Cônego Siqueira a D. Duarte Leopoldo que estava pronto a passar a escritura de doação da referida casa, para que desde logo se fosse constituído o patrimônio do futuro bispado.

O Exmo. Sr. Bispo declarou-lhe então que as suas intenções eram, efetivamente de que fosse criado o bispado nessa cidade e que, até o mês de Julho próximo, viria fazer uma visita a esta paróquia e que por essa ocasião, ficariam assentadas as idéias sobre este assunto.

O Revmo. Vigário mostrou-se-nos muito entusiasmo pela idéia e desde já empenha-se fervorosamente pela sua realização".

Dom Duarte tornou oficialmente pública a sua decisão através do seu Mandamento N. 1:

"Era nossa intenção iniciar, quanto antes, a Visita Pastoral a diversas Paróquias da Diocese, a fim de levar a todos os nossos queridos e amados diocesanos as bênçãos e consolações do Nosso ministério. Compreende-se, porém, que os primeiros trabalhos de uma administração tão vasta quanto complicada, principalmente a projetada criação de quatro novas Dioceses no Estado de São Paulo, Nos retenham por muito tempo nesta Capital, impedindo-Nos o cumprimento de um dever que Nos é caro e do qual esperamos incontáveis benefícios".




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